Transcrição Tipologias do amor II
Amor sociável ou de companhia
Quando uma relação combina intimidade e compromisso, mas carece de paixão, é denominada «amor sociável» ou de companhia. Esta configuração é extremamente comum em casamentos de longa duração.
O casal funciona como uma excelente equipa: eles administram a casa, criam os filhos e apoiam-se mutuamente como melhores amigos.
Existe um profundo afeto e a decisão de permanecerem juntos é firme. No entanto, a chama erótica se apagou.
Muitas vezes, isso não é percebido como um problema até que um dos membros sinta o vazio da falta de desejo ou conexão física.
Na terapia, o objetivo não é necessariamente voltar à paixão do namoro, mas renegociar a sexualidade e buscar formas de reconexão física que sejam satisfatórias para esta fase, evitando que a relação se torne puramente uma sociedade fraternal ou de convivência logística.
Amor fútil ou louco
A mistura de paixão e compromisso sem intimidade dá origem ao «amor fatuo». Este tipo de relação é exemplificado nos casamentos relâmpago, em que um casal se casa poucas semanas depois de se conhecer, impulsionado por uma atração física avassaladora.
O compromisso é estabelecido com base na paixão, sem ter desenvolvido a confiança e o conhecimento mútuo que a intimidade proporciona.
O risco destes relacionamentos é alto, pois carecem da «cola» emocional necessária para resolver conflitos quando a paixão inevitavelmente diminui.
Por não conhecer realmente o outro (os seus valores, medos, história), o casal enfrenta uma crise de realidade quando a idealização inicial se rompe.
O trabalho terapêutico consiste em construir urgentemente a base de amizade e intimidade que foi ignorada no início, para sustentar a estrutura do compromisso.
A evolução natural da paixão
É vital normalizar que a paixão não é uma constante eterna. Pesquisas sugerem que a fase de intenso enamoramento bioquímico dura entre 6 e 30 meses. Posteriormente, o relacionamento deve fazer a transição para um amor mais maduro.
Após aproximadamente quatro anos, muitos casais experimentam uma diminuição significativa na frequência sexual e na intensidade da paixão, o que pode ser interpretado erroneamente como desamor.
Este fenómeno, por vezes chamado de «efeito de tolerância», implica que o cérebro se habitua à presença do outro.
O desafio é transformar a paixão «obcecante» inicial numa paixão «harmoniosa» e sustentável.
Os casais que sobrevivem a essa transição são aqueles que conseguem substituir a novidade pela profundidade e segurança, encontrando novas formas de erotismo baseadas na confiança e na história compartilhada, em vez de depender exclusivamente da novidade neuroquímica.
Resumo
O amor sociável une intimidade e compromisso sem paixão sexual. Muito comum em casamentos duradouros que funcionam como excelentes equipas, mas exigem renegociar a sua conexão física para evitar o vazio.
O amor fútil combina paixão e compromisso sem amizade prévia. Esses casamentos relâmpagos enfrentam crises de realidade severas, pois carecem da ligação emocional necessária para resolver conflitos e diferenças fundamentais.
A fase de paixão bioquímica é transitória, com duração máxima de trinta meses. Os casais bem-sucedidos transformam a paixão obsessiva inicial em uma paixão harmoniosa baseada na segurança, profundidade e uma história compartilhada.
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