Transcrição Tipologias do amor I
Carinho e Enamoramento: Um único componente
Ao analisar as combinações dos elementos de Sternberg, surgem tipologias claras. Quando existe apenas intimidade, falamos de «afeto».
Este é o vínculo característico das amizades verdadeiras, onde há proximidade, cordialidade e confiança, mas ausência de desejo sexual intenso e de um compromisso de vida a longo prazo como casal.
Em consulta, é vital diferenciar se um casal «voltou» a ser apenas amigos ou se nunca desenvolveu os outros componentes.
Por outro lado, quando apenas a paixão está presente, estamos perante o «encaprichamento». É o clássico «amor à primeira vista» ou obsessão erótica.
Caracteriza-se por uma idealização extrema e uma forte atração física, mas carece de um conhecimento profundo do outro (intimidade) e da decisão de permanência (compromisso).
Essas relações tendem a ser voláteis e de curta duração, dissolvendo-se tão rapidamente quanto começaram, uma vez que a novidade desaparece.
Amor vazio: o compromisso sem substância
O «amor vazio» ocorre quando existe compromisso, mas faltam tanto a intimidade quanto a paixão.
É frequente nas fases finais de relações longas que se deterioraram, em que o casal permanece unido «pelo bem dos filhos», por património ou por medo da solidão, mas já não partilha a vida emocional nem física.
Sentem respeito e lealdade, mas vivem vidas paralelas emocionalmente desconectadas.
É também a forma como começam os casamentos arranjados culturalmente, onde o compromisso antecede o desenvolvimento da intimidade ou da paixão.
Na terapia, o desafio com esses casais é determinar se há brasas que possam ser reacendidas ou se o sistema relacional chegou a uma necrose irreversível.
Muitas vezes, um dos membros sofre profundamente com a solidão dentro desse tipo de união "funcional", mas desvitalizada.
Amor romântico: paixão e intimidade sem futuro
A combinação de intimidade e paixão cria o «amor romântico». Neste tipo de relação, os amantes estão unidos física e emocionalmente; gostam um do outro, desejam-se e conhecem-se profundamente. No entanto, não existe compromisso.
É típico dos amores de verão ou relações intensas, mas breves, onde o prazer do «aqui e agora» é máximo, mas não há planos para o futuro nem uma visão partilhada da vida.
O problema surge quando um dos membros espera que a relação evolua para um compromisso e o outro se mantém apenas no prazer do momento.
Essa discrepância nas expectativas é uma fonte frequente de conflito e dor nas fases iniciais da formação do casal, levando a sentimentos de decepção se o contrato relacional não for esclarecido.
Resumo
O carinho implica apenas intimidade emocional típica de amizades verdadeiras. Por outro lado, o enamoramento é pura paixão sem conhecimento profundo, resultando em relações voláteis baseadas em idealizações eróticas extremas.
O amor vazio é caracterizado pelo compromisso desprovido de paixão e intimidade. É frequente em uniões deterioradas que permanecem por medo da solidão, filhos ou interesses económicos partilhados.
A mistura de paixão e intimidade cria o amor romântico sem compromisso futuro. Essas relações intensas costumam gerar decepção se as expectativas de permanência não coincidirem entre os membros.
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