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Teoria Triangular do Amor

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Transcrição Teoria Triangular do Amor


Os três componentes estruturais da relação

Para compreender a complexidade dos laços afetivos, é essencial dominar o modelo teórico que decompõe o amor em três vértices fundamentais.

O primeiro componente é a Intimidade, que se refere à proximidade emocional, à conexão profunda e ao calor humano.

Não deve ser confundida exclusivamente com sexo, mas entendida como o sentimento de confiança que permite partilhar o mundo interior, vulnerabilidades e apoio mútuo.

O segundo elemento é a Paixão. Este é o componente motivacional e biológico que impulsiona o romance, a atração física e o desejo sexual.

Funciona como o «combustível» inicial de muitos relacionamentos, gerando uma necessidade intensa de união com o outro.

Finalmente, encontramos o Compromisso, que representa a vertente cognitiva e decisória.

É a determinação consciente de amar alguém e manter esse amor a longo prazo, superando as adversidades.

Uma relação pode ter um, dois ou os três elementos, e a combinação destes define a qualidade e o tipo de vínculo existente.

Dinâmica e flutuação dos componentes ao longo do tempo

É crucial que os terapeutas expliquem aos casais que estes componentes não são estáticos. A relação é um ser vivo onde a presença e a intensidade de cada vértice flutuam.

Por exemplo, é natural que no início da relação a Paixão esteja no seu auge, impulsionada pela novidade e pela química cerebral.

No entanto, com o passar dos anos, é de se esperar que a paixão biológica diminua ou se transforme, dando lugar a um aumento no Compromisso e na Intimidade. Compreender essa evolução evita a patologização de processos naturais.

Se um casal de longa data sente que «a chama mudou», isso não significa necessariamente o fim do amor, mas uma transição para uma fase diferente do ciclo de vida do relacionamento.

O erro comum é esperar que a intensidade apaixonada dos primeiros meses se mantenha linearmente durante décadas sem esforço ativo.

O amor consumado como ideal regulador

O «amor consumado» ou amor completo é aquele que integra de forma equilibrada intimidade, paixão e compromisso.

É considerado a forma mais completa de amor e é o ideal ao qual a maioria dos casais aspira.

Representa uma relação onde há amizade profunda, desejo erótico e uma decisão firme de permanência.

No entanto, alcançar esse estado é mais fácil do que mantê-lo. Requer um trabalho constante de «regar» e cultivar.

Sem a expressão ativa de afeto e a renovação da paixão, um amor consumado pode degradar-se para formas mais companheiras ou vazias.

Na terapia, este modelo é utilizado para que o casal diagnostique que área está a ser negligenciada: falta de paixão? Falta de comunicação profunda? Falta de projeção para o futuro? Ao identificar o défice, podem ser concebidas intervenções específicas para fortalecer o vértice enfraquecido.

Resumo

O amor divide-se em três vértices essenciais: intimidade emocional, paixão biológica e compromisso consciente. A combinação destes elementos define a qualidade e o tipo de vínculo afetivo existente.

Esses componentes flutuam naturalmente durante o ciclo de vida do relacionamento. É normal que a paixão inicial diminua à medida que aumentam a confiança profunda e a decisão firme de permanecer juntos para sempre.

O amor consumado integra de forma equilibrada os três elementos fundamentais. Mantê-lo requer um cuidado constante e um esforço ativo para evitar que o vínculo se degrade para formas vazias ou companheirismo eterno.


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