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Técnicas Integrativas: Polaridades

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Transcrição Técnicas Integrativas: Polaridades


Trabalho com a Cadeira Vazia para diálogos externos

A técnica da Cadeira Vazia é talvez a ferramenta mais icónica da Gestalt. É utilizada para facilitar um diálogo imaginário entre o paciente e uma pessoa ausente (ou presente, mas com quem não se consegue comunicar), ou mesmo com um aspeto de uma situação.

Coloca-se uma cadeira vazia em frente ao paciente e pede-se que ele imagine que a pessoa em questão está sentada ali.

O primeiro passo é a projeção: «Visualize o seu pai ali. Descreva-o. Como ele olha para si?».

Em seguida, o paciente é convidado a expressar tudo o que tem guardado («Estou furioso porque nunca me defendeste»). O fundamental não é a catarse unilateral, mas a troca.

O terapeuta pede ao paciente que mude de lugar, ocupe a cadeira vazia e «se torne» a outra pessoa, respondendo a partir desse papel.

Este exercício promove uma compreensão visceral da perspetiva do outro e permite encerrar assuntos inconclusos que afetam a relação atual.

Integração de polaridades através do encontro intrapessoal

As polaridades referem-se a partes opostas do eu que estão em conflito (o «cão de cima» exigente vs. o «cão de baixo» submisso; o lado carinhoso vs. o lado ressentido).

Muitas vezes, os pacientes identificam-se apenas com um polo e rejeitam o outro, projetando-o no seu parceiro ("Eu sou o organizado, ela é o caos"). O encontro intrapessoal utiliza duas cadeiras para representar essas partes internas.

O paciente senta-se numa cadeira e fala como o seu «Eu Responsável», criticando o «Eu Vívido».

Em seguida, muda de cadeira e responde defendendo o seu direito ao prazer. O objetivo terapêutico não é que uma parte vença, mas sim a integração.

Procura-se que o paciente reconheça que ambos os pólos lhe pertencem e têm uma função válida.

Ao aceitar as suas próprias contradições, deixa de exigir que o parceiro carregue as suas partes repudiadas e recupera a totalidade do seu ser.

Diálogo e síntese entre partes do self

O processo de integração requer que o diálogo entre as polaridades avance da hostilidade mútua para o reconhecimento e a negociação.

Inicialmente, as partes tendem a atacar-se mutuamente («És um preguiçoso», «És um tirano»).

O terapeuta facilita a interação para que cada parte expresse a sua necessidade positiva subjacente.

Por exemplo, a parte «Crítica» pode revelar que, na verdade, está a tentar proteger o sujeito do fracasso, enquanto a parte «Passiva» está a tentar evitar o stress excessivo.

Ao compreender as intenções positivas de ambos os lados, pode-se chegar a uma síntese ou acordo interno.

No contexto do casal, isso é vital: quando uma pessoa integra as suas próprias sombras e luzes, torna-se menos reativa e mais capaz de aceitar a complexidade do seu parceiro, deixando de ver a relação em termos de preto ou branco.

Resumo

A cadeira vazia facilita diálogos imaginários com pessoas ausentes ou aspectos internos. Promove uma compreensão visceral das perspectivas alheias, permitindo encerrar assuntos inconclusos que afetam a relação atual do casal.

O encontro intrapessoal utiliza duas cadeiras para representar partes do eu em conflito. O objetivo é integrar polaridades, aceitando as próprias contradições para deixar de as projetar no parceiro sentimental.

O diálogo entre polaridades busca reconhecer necessidades positivas subjacentes às hostilidades. Ao integrar sombras e luzes, a pessoa se torna menos reativa e mais capaz de aceitar a complexidade alheia.


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