Transcrição Técnicas de modificação de comportamento
Reforço e contratos comportamentais
A modificação de comportamento baseia-se nos princípios do condicionamento operante: os comportamentos que são reforçados tendem a se repetir.
Na terapia de casal, os membros são treinados para deixar de reforçar inadvertidamente os comportamentos negativos (prestando atenção às queixas) e começar a reforçar sistematicamente os positivos.
Elogios, agradecimentos e afeto são usados como consequências positivas imediatas diante de mudanças desejadas.
Para formalizar essas trocas, são utilizados «contratos comportamentais» ou de contingências.
Estes são acordos explícitos, negociados em sessão, onde se estipula: «Se fizeres X (comportamento desejado), eu farei Y (recompensa/comportamento recíproco)».
Por exemplo, «Se cozinhares três noites por semana, eu encarregar-me-ei de planear as saídas do fim de semana».
Estes contratos quebram a dinâmica negativa do «quid pro quo» («como tu me ignoras, eu grito contigo») e estabelecem um ciclo de reciprocidade positiva e previsível.
Modelagem e ensaio comportamental
Muitas vezes, os casais sabem o que devem fazer, mas não sabem como. A modelagem implica que o terapeuta demonstre em sessão o comportamento ou a habilidade necessária.
Se um dos membros não sabe como pedir desculpa sem se justificar, o terapeuta desempenha o papel e mostra o tom, as palavras e a linguagem corporal adequados.
A aprendizagem observacional é um atalho poderoso para adquirir novas competências relacionais.
Depois de modelado o comportamento, o casal deve praticá-lo por meio do "ensaio comportamental" ou role-playing.
Simulam-se situações conflituosas na segurança do consultório, permitindo ao casal testar as novas estratégias com a orientação e correção imediata do terapeuta.
Essa prática repetitiva ajuda a automatizar respostas saudáveis, de modo que elas estejam disponíveis sob o estresse da vida real, reduzindo a lacuna entre a teoria e a prática.
Treino em competências sociais e assertividade
Muitos conflitos de casal surgem de um déficit em habilidades sociais básicas, como assertividade, empatia ou comunicação não verbal.
O treino nessas áreas visa equipar os indivíduos com ferramentas para interagir de forma eficaz e respeitosa.
Ensina-se a expressar desejos e limites de forma clara e direta, sem agressividade ou passividade.
Isso inclui trabalhar aspectos como contato visual, volume da voz e capacidade de iniciar e manter conversas difíceis.
Também são abordadas habilidades de "oratória" emocional: como estruturar uma mensagem para que seja recebida sem defensividade.
Melhorar a competência social individual de cada membro eleva automaticamente a qualidade da interação diádica, pois elimina os mal-entendidos decorrentes da falta de jeito comunicativo ou da inibição social.
Resumo
O reforço sistemático de comportamentos positivos por meio de elogios ou afeto fortalece o vínculo. Os contratos comportamentais formalizam trocas recíprocas, quebrando dinâmicas negativas de "quid pro quo" na relação.
A modelagem envolve demonstrações do terapeuta sobre as habilidades necessárias na sessão. O ensaio comportamental permite praticar estratégias sob orientação profissional, reduzindo a lacuna entre a teoria e a prática diária.
O treino em competências sociais e assertividade prepara os indivíduos para interações eficazes. Melhorar a competência social individual eleva automaticamente a qualidade diádica, eliminando mal-entendidos decorrentes de dificuldades de comunicação.
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