Transcrição Psicodrama II: Ação e Papéis
Solilóquio: verbalizar o pensamento interno
O solilóquio é uma técnica que permite aceder ao monólogo interior de uma pessoa no meio de uma ação.
O paciente é instruído a, durante uma encenação ou num momento de pausa, expressar em voz alta o que está a pensar ou a sentir, como se fosse um ator numa peça de teatro falando à parte para o público, enquanto a ação congela ou continua em segundo plano. Numa sessão de casal, isso é muito útil.
Enquanto um fala, pode-se pedir ao outro que faça um solilóquio: «O que está a pensar agora enquanto ela diz isso?».
O paciente pode revelar: «Estou a pensar que ela nunca vai parar de se queixar e só quero ir embora».
Tornar explícito esse discurso interno ajuda o casal a compreender as reações do outro que antes pareciam incompreensíveis ou desconectadas da conversa. Traz a verdade oculta para o espaço compartilhado.
Mudança e inversão de papéis para uma empatia profunda
A inversão ou reversão de papéis é a técnica rainha para promover a empatia. Pede-se aos membros do casal que troquem de papéis.
«A» deve agir, falar e comportar-se como «B», e vice-versa, no contexto de uma situação específica (como uma discussão recorrente sobre a educação dos filhos).
Para que funcione, o paciente não deve caricaturar o outro, mas tentar incorporar a sua visão do mundo, os seus argumentos e as suas emoções com a maior fidelidade possível.
Ao ter de defender a posição do seu parceiro e receber os seus próprios argumentos de fora, ocorre uma descentração cognitiva.
É muito difícil manter a hostilidade em relação a alguém cujos sapatos (e dores) você está tentando habitar ativamente.
Muitas vezes, isso leva a insights rápidos sobre como os próprios comportamentos afetam o outro.
Criação de novos papéis e expansão do eu
Às vezes, o problema não é o conflito entre papéis existentes, mas a ausência de papéis necessários.
A criação de papéis implica ajudar o paciente a desenvolver uma nova faceta da sua personalidade ou um novo modo de funcionamento que não está no seu repertório atual, mas que é necessário para a saúde relacional.
Por exemplo, um homem que só sabe relacionar-se a partir do papel de «Provedor Estoico» pode precisar de criar o papel de «Companheiro Emocional».
Na sessão, ele é orientado a construir, ensaiar e dar vida a esse novo personagem: como ele se moveria? O que diria? Como olharia? Ao desempenhar esse novo papel em um ambiente seguro, o paciente expande a sua identidade e adquire novas habilidades comportamentais que pode então integrar na sua vida diária, quebrando a rigidez dos velhos padrões.
Resumo
O solilóquio permite acessar o monólogo interior durante uma ação ou pausa. Tornar explícito esse discurso interno ajuda o casal a compreender reações antes incompreensíveis ou emocionalmente desconectadas.
A inversão de papéis promove uma empatia profunda ao trocar de papéis com o outro. Encarnar a visão do outro produz descentramento cognitivo, dificultando manter a hostilidade em relação às dores que se habitam ativamente.
A criação de papéis ajuda a desenvolver facetas da personalidade necessárias para a saúde relacional. Interpretar novos personagens expande a identidade, adquirindo habilidades comportamentais que quebram a rigidez dos velhos padrões.
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