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Dependência emocional vs. amor

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Transcrição Dependência emocional vs. amor


Características clínicas da necessidade afetiva extrema

É fundamental distinguir entre amor saudável e dependência emocional patológica.

A dependência é caracterizada por uma necessidade afetiva extrema e desproporcional em relação ao parceiro.

Não é o desejo natural de estar com o outro, mas uma incapacidade percebida de funcionar ou «respirar» sem essa pessoa.

O dependente sente que a sua estabilidade emocional e autoestima dependem inteiramente da validação externa do seu parceiro.

Nestas dinâmicas, o medo da solidão é o principal motor, não o prazer da companhia.

A pessoa dependente muitas vezes sofre de ansiedade constante pela possibilidade de abandono, o que a leva a comportamentos de controlo, submissão excessiva ou vigilância obsessiva.

A relação é vivida a partir da angústia e da carência, em vez de a partir da plenitude e da partilha.

Autonomia e liberdade versus fusão

A diferença fundamental reside na autonomia. Numa relação amorosa saudável, aplica-se a premissa: «Amo-te, mas não preciso de ti para sobreviver».

Ambos os membros mantêm as suas identidades individuais, as suas amizades e os seus objetivos pessoais.

Existe uma interdependência em que se apoiam mutuamente, mas respeitam os espaços de liberdade um do outro. Em contraste, a dependência busca a fusão total.

A pessoa dependente renuncia à sua própria identidade, gostos e opiniões para agradar ao outro e garantir a sua permanência.

Perde-se a reciprocidade: um adapta-se totalmente ao outro, perdendo-se no processo.

Essa falta de liberdade e espaço individual sufoca o relacionamento e gera um ciclo tóxico onde o amor se confunde com possessão e necessidade de controlo.

O ciclo destrutivo da relação dependente

As relações dependentes tendem a seguir um padrão cíclico destrutivo. Começam com uma fase de euforia e idealização absoluta, em que o parceiro é visto como a salvação.

Rapidamente, isso deriva em subordinação, onde o dependente cede em tudo para evitar o conflito.

Inevitavelmente, surge a deterioração, uma vez que a assimetria e a exigência emocional desgastam o vínculo.

Se ocorrer uma ruptura, o dependente muitas vezes entra em síndrome de abstinência, procurando desesperadamente uma «relação de transição» para preencher o vazio, reiniciando o ciclo sem ter processado o luto nem trabalhado a sua autonomia.

Na terapia, o objetivo é quebrar esse ciclo, ajudando o paciente a construir uma autoestima que não dependa de ter um parceiro, para que ele possa escolher se relacionar a partir do desejo e não da necessidade de «ser salvo».

Resumo

A dependência emocional implica uma necessidade afetiva extrema e incapacitante. O medo do abandono motiva comportamentos de controlo e submissão, buscando validação externa para sustentar uma autoestima muito frágil atualmente.

O amor saudável promove a autonomia e a liberdade individual. A premissa principal é desejar o outro sem precisar dele para sobreviver, mantendo sempre identidades próprias, amizades e objetivos pessoais diferenciados.

As relações dependentes seguem ciclos destrutivos de euforia e subordinação. A terapia procura fortalecer a autoestima para que o indivíduo escolha relacionar-se a partir do desejo genuíno e não da carência.


dependencia emocional vs amor

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