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Desconstrução do mito romântico

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Transcrição Desconstrução do mito romântico


A origem cultural das imposições sociais

A abordagem dos conflitos relacionais requer, muitas vezes, desmontar os mitos sociais profundamente enraizados na psique do cliente.

É extremamente frequente que as pessoas procurem uma sessão manifestando uma intensa insatisfação, baseada na percepção de que a sua vida afetiva não avança de acordo com os prazos socialmente estabelecidos.

O mal-estar surge ao comparar a sua situação com uma linha temporal artificial que dita quando devem consolidar um compromisso, partilhar uma casa ou formar um núcleo familiar.

O trabalho do profissional consiste em questionar diretamente a rigidez dessas imposições, questionando o utilizador sobre quem realmente concebeu esses critérios de sucesso e demonstrando que eles obedecem a construções externas arbitrárias, e não a convicções próprias.

A influência das narrativas precoces

Num nível mais profundo, estas expectativas provêm de narrativas assimiladas durante a fase formativa.

Desde a infância, os indivíduos são bombardeados com relatos de ficção, literatura clássica e produtos mediáticos que configuram uma imagem altamente idealizada de como deve ser estruturada uma convivência.

Essa programação cultural implantada ao longo dos anos cria um roteiro imaginário que a mente aceita por padrão como o padrão normal e indiscutível de um relacionamento bem-sucedido.

O perigo reside no facto de este modelo preconcebido se instalar no subconsciente, funcionando como um filtro implacável através do qual qualquer interação futura será avaliada de forma injusta.

O perigo de medir a realidade com ficções

Entrar numa dinâmica de convivência sustentando essa fantasia interna garante, de forma quase inevitável, um fracasso retumbante.

Ao pretender que um ser humano de carne e osso se adapte milimetricamente a um arquétipo ilusório, o sujeito se desconecta da realidade pragmática.

A pessoa não interage verdadeiramente com o seu companheiro, mas com o holograma dos seus próprios anseios históricos projetados sobre o outro.

Portanto, o facilitador deve promover um aterramento emocional que permita ao usuário reconhecer que nenhuma pessoa real poderá jamais competir com um ideal fictício e que um vínculo saudável requer aceitar a imperfeição inerente à natureza humana.

RESUMO

Os indivíduos costumam recorrer ao processo frustrados por não alcançarem marcos sociais pré-estabelecidos. O facilitador deve questionar a rigidez desses mandatos arbitrários que condicionam negativamente o seu bem-estar afetivo atual.

Essas exigências nascem de narrativas culturais assimiladas durante a infância. Contos, filmes e meios de comunicação implantam um modelo romântico ilusório que distorce completamente as expectativas relacionais adultas cotidianas.

Medir uma relação real utilizando parâmetros fictícios conduz inevitavelmente à decepção constante. É fundamental ajudar o sujeito a abandonar a fantasia para poder apreciar a convivência tal como ela é.


desconstrucao do mito romantico

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