Transcrição Assumir o protagonismo no conflito
Reconhecimento da percentagem de influência própria
Na anatomia de qualquer controvérsia relacional, é um erro analítico atribuir toda a culpa a apenas uma das partes.
Todo conflito é, por definição, um sistema co-criado onde ambos os membros contribuem com elementos que sustentam o atrito.
A técnica de dividir a responsabilidade, assumindo que sempre existe pelo menos uma fração do problema que nos pertence, é vital para a resolução.
Mesmo em situações em que a ação do outro parece flagrantemente prejudicial, a nossa responsabilidade pode residir em não ter estabelecido limites claros a tempo, em ter tolerado faltas de respeito anteriores ou em não ter comunicado as nossas necessidades com a firmeza necessária.
Reconhecer essa quota-parte de participação não implica culpar-se injustamente, mas compreender que as nossas ações ou omissões fazem parte indissolúvel da equação que gerou a crise.
Empoderamento através da eliminação do vitimismo
Assumir o papel de vítima inocente diante das dificuldades relacionais é uma armadilha psicológica extremamente sedutora, mas profundamente paralisante.
Ao nos convencermos de que todo o sofrimento nos é infligido unilateralmente por um agente externo, automaticamente nos despojamos do nosso poder pessoal.
O vitimismo confina-nos a uma posição passiva e desamparada, na qual dependemos exclusivamente de que o outro modifique o seu comportamento para nos sentirmos bem.
Para quebrar essa dinâmica castradora, é essencial reapropriar-se do controlo, reconhecendo a nossa capacidade de agir.
Ao afirmar conscientemente que permitimos, toleramos ou contribuímos para uma situação indesejável, recuperamos a capacidade de escolher respostas diferentes e estabelecer fronteiras protetoras.
Este ato de honestidade erradica a indefesa e devolve-nos o controlo sobre o nosso próprio bem-estar afetivo.
Abandono das desculpas e justificações
A perpetuação de padrões prejudiciais costuma ser sustentada por uma elaborada estrutura de justificativas mentais.
É comum que o indivíduo racionalize as suas próprias reações destrutivas, escudando-se nas atitudes anteriores do seu companheiro, argumentando que o seu mau comportamento foi inevitavelmente provocado pelo outro.
No entanto, para assumir verdadeiramente o protagonismo no conflito, deve-se renunciar completamente à busca de desculpas.
Isso implica olhar para dentro de si mesmo para descobrir as verdadeiras inseguranças e medos subjacentes que nos levam a reagir de forma desproporcional.
Em vez de justificar um acesso de raiva com base numa falta menor do cônjuge, o indivíduo maduro investiga por que essa falta desencadeou um medo tão profundo.
Abandonar as desculpas permite abordar as verdadeiras raízes do problema e facilita um crescimento orgânico.
RESUMO
Reconhecer a percentagem de responsabilidade própria em cada disputa é essencial para amadurecer. Assumir que os conflitos são sempre co-criados permite abandonar totalmente a mentalidade destrutiva e limitante de vítima.
Posicionar-se como um sujeito mártir desamparado implica ceder todo o poder pessoal ao ambiente. Recuperar essa autoridade requer observar criticamente a nossa participação ativa dentro das complexas dinâmicas relacionais problemáticas.
Renunciar completamente a todas as desculpas habituais impede a perpetuação de interações tóxicas constantes. Abordar os conflitos a partir de uma posição protagonista promove soluções reais baseadas no crescimento conjunto.
assumir o protagonismo no conflito